quinta-feira, 25 de abril de 2013

CO2: culpado ou inocente?



        O termo “sustentabilidade” possui um conceito bastante amplo, englobando a interação do homem com o mundo, de forma que sejam integradas entre si as questões sociais, energéticas, econômicas e ambientais. Para isso, é necessário o respeito pelo homem e pelo social, uma economia preocupada com o bem da sociedade e com a preservação do meio ambiente. Assim, a sustentabilidade abrange a utilização dos recursos para a satisfação das necessidades, sem prejudicar a satisfação das necessidades do outro, seja em sua geração ou em gerações futuras. Em relação a esse tema, um assunto que tem sido bastante discutido e que abrange diversos pontos de vista, é o aquecimento global e sua causa. Há quem acredite que o dióxido de carbono (CO2) é um vilão incondicional e há quem discorde terminantemente.

            Analisando um posicionamento crente na existência do aquecimento global provocado pelo aumento da produção do CO2, observamos o documentário de Al Gore “Uma verdade inconveniente”, onde mostra os grandes impactos causados pelo homem na natureza. Assim, a produção humana teria afetado o clima do planeta e, em breve, o cenário mundial chegaria ao caos. É perceptível que o homem altera o meio que vive. Tudo o que ele faz traz uma consequência, seja ela boa ou ruim. O fato da interferência nos mangues, nas orlas marítimas nos rios, além da construção de inúmeros prédios, tem ocasionado grandes mudanças nas cidades. Essas modificações vão desde o aquecimento do clima local até grandes catástrofes.

             A partir desse ponto de vista, a falta de preocupação social acarretaria diversos problemas na vida do homem e do planeta. Somos diretamente afetados por aquilo que não cuidamos. O CO2 tornou-se um vilão, a partir do momento em que sua emissão passou a ser extremamente exagerada, através do uso de combustíveis fósseis, queimadas, entre outras situações. Essa emissão em demasia provocaria mudanças climáticas. Segundo Woodvel (1989),



O carbono que atualmente é lançado para a atmosfera resulta da queima de combustíveis fósseis principalmente pelo setor industrial e de transporte. Além disso, reservatórios naturais de carbono e os sumidouros (ecossistemas com a capacidade de absorver CO2) também estão sendo afetados por ações antrópicas. Devido o solo possuir um estoque 2 a 3 vezes maior que a atmosfera, mudanças no uso do solo podem ser importante fonte de carbono para a atmosfera.



Assim o aumento da produção do gás carbônico aumenta a capacidade da atmosfera em reter calor e, mas não consequentemente, da temperatura do planeta.

            Observando pelo âmbito negativo (onde não se acredita na interferência do CO2 produzido pelo homem no aquecimento global), o documentário “A grande farsa do aquecimento global” critica o consenso entre cientistas a respeito da causa do desse problema ser advinda do CO2 produzido pelo homem. Concorda, no entanto com a existência de um aquecimento no clima da terra nos últimos anos. O aumento do dióxido de carbono, dessa forma, nada teria a ver com a alteração climática, visto que a radiação cósmica e a atividade solar explicam melhor essas mudanças. Ainda enfatiza que a variação do CO2 está defasada das variações térmicas há 800 anos, o que seria mais uma argumento contra sua “culpa” no aquecimento. Vários estudos mostram que o CO2 é o gás que menos influencia no aquecimento global, embora haja cientistas que remetam a esse gás um enorme impacto climático. Ainda que vários cientistas sejam favoráveis, existem cientistas contrários. Ainda a respeito desse ponto de vista, ouve-se falar em certa carta enviada à presidenta Dilma, onde 18 cientistas brasileiros, renomados, teriam questionado a existência do aquecimento global provocado pelo homem. Ou seja, o homem não teria, segundo eles, nenhuma influência sobre o clima e o aquecimento global seria apenas uma forma de alarmismo. Eles justificaram a afirmação destacando que o gás carbônico não é o responsável pelo aquecimento global. Assim, as ações humanas teriam repercussão apenas nas cidades e seus entornos e em determinadas situações, não afetando o planeta inteiro. Em relação ao nível do mar:



Quanto ao nível do mar, ele subiu cerca de 120 metros, entre 18.000 e 6.000 anos atrás, o que equivale a uma taxa média de 1 metro por século, suficiente para impactar visualmente as gerações sucessivas das populações que habitavam as margens continentais. No período entre 14.650 e 14.300 anos atrás, a elevação foi ainda mais rápida, atingindo cerca de 14 metros em apenas 350 anos - equivalente a 4 m por século.Por conseguinte, as variações observadas no período da industrialização se enquadram, com muita folga, dentro da faixa de oscilações naturais do clima e, portanto, não podem ser atribuídas ao uso dos combustíveis fósseis ou a qualquer outro tipo de atividade vinculada ao desenvolvimento humano.


              Eles comentaram ainda que, partindo da conclusão de que as emissões antropogênicas de carbono não provocam impactos verificáveis no clima global, a "descarbonização" da economia, ou economia de baixo carbono, torna-se  desnecessária e contraproducente - sendo, na verdade, uma pseudo-solução para um problema inexistente.”

            Compreende-se a partir da análise da carta que existe atualmente uma falsa solução para uma problemática que não existe. Partindo-se deste ponto de vista, por que não acreditar que a crença no aquecimento global não é uma forma de alcançar novos focos econômicos? Talvez as empresas estejam fazendo uso de estratégias para ganho de novos mercados ou ampliação de faturamento, através da “desculpa” do aquecimento global.  Assim, cria-se um problema e uma “solução”, utilizando-se da informação para o convencimento da população.

            Partindo da análise dos dois pontos de vista, é fácil chegar à conclusão de que o homem influencia diretamente na modificação do ambiente em que habita. No entanto, não sei decerto até que ponto essa influência pode ser trágica ou global, partindo-se apenas de indivíduos consumidores de produtos emissores do dióxido de carbono. É necessário pesquisar e compreender melhor as informações trazidas pela mídia ou afins, para obter-se um ponto de vista com menos riscos de erro. No entanto, ater-se a essa problemática pode ser inútil, visto que o grande dilema da sociedade não se limita apenas à produção ou não do CO2, mas sim à falta de linearidade entre ações econômicas, ambientais e sociais.

Diversas vezes, as causas econômicas superam as necessidades sociais e do ambiente, provocando prejuízos terríveis ao planeta e aos seres humanos. E isso não é provocado simplesmente pela queima de combustível de um automóvel, mas um conjunto de ações antiéticas que resultam na degradação do meio e da sociedade, o que envolve desde um trabalho escravo até a exploração desenfreada dos recursos naturais. Por isso, é necessário repensar a questão, não culpando somente a pequena parte da sociedade que usufrui de bens que podem ou não prejudicar o ambiente. Deve-se analisar também quem são os responsáveis pelo maior impacto, afim de regularizar suas atitudes. Somente assim seriam amenizados os estragos socioambientais causados até hoje.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Sentimentos humanos, mercadorias compradas

           Lendo um pouco um livro sobre linguagem da propaganda, de Vestergaard e Shroder (2004; p. 266), uma consideração me chamou bastante a atenção e me inquietou. Referia-se aos efeitos da propaganda, que segundo os autores, são "uma consequência do desvirtuamento das relações e sentimentos humanos, que ela torna dependentes de mercadorias compradas." Assim, segundo os mesmos, ao vincular as relações e sentimentos humanos à mercadorias, afeta-se a espontaneidade do indivíduo.
           Fiquei um tempo pensando nesse aspecto e comecei a mergulhar na amplitude disso tudo. Ao lidar com emoções, a propaganda faz muito mais do que convencer um potencial consumidor anônimo. Ela cria mundos incríveis e perfeitos, onde nós, embora quiséssemos muito, nunca poderíamos viver. A publicidade têm imposto padrões inatingíveis, sejam de consumo, estéticos, de personalidade ou de vida, para atingir emocionalmente o consumidor. Então, estuda-se o público-alvo, suas características, mudanças e tendências, compreendendo suas ações, para atingi-lo de forma eficaz. Além disso, a publicidade utiliza diversas outras técnicas para obter melhores resultados.
            No entanto, não enxergo, de todo, cruel a forma de agir da propaganda. Nem poderia fazê-lo, até mesmo por ser publicitária e acreditar na execução ética da minha profissão. Não considero cruel, no que diz respeito ao uso de técnicas e no conhecimento do consumidor como todo para atingi-lo melhor. Isso é totalmente pertinente e lógico.
         O que acredito ser injusto é utilizar as técnicas de forma indiscriminada e antiética, sem pensar a partir do ponto de vista de quem está recebendo a mensagem publicitária. O problema não é atingir o consumidor, mas provocar nele a busca incansável por um padrão de vida impossível a ele, a ponto de endividar-se ou sentir-se inferior por não conseguir alcançá-lo. Ou levar crianças, jovens e adultos a tentarem atingir padrões de beleza, que nem mesmo os próprios modelos publicitários conseguem naturalmente, mas somente recorrendo a ferramentas computadorizadas. Isso, sim,  é cruel. O resultado disso é a criação de uma sociedade doente, frustrada e com indivíduos psicologicamente afetados.
          A publicidade é uma ferramenta muito importante, ao levar para o consumidor o conhecimento de produtos e serviços e facilitando a livre concorrência entre empresas. No entanto, é necessário agir com ética, considerando que o público a ser atingido é humano e movido por sentimentos e relações. Esses últimos, ao serem afetados de maneira imprudente, trarão danos,muitas vezes, irreparáveis aos indivíduos e à sociedade, consequentemente.

   

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Publicidade e slogan: transmitindo o posicionamento da marca

           Como ferramenta do Marketing, a publicidade possui seu centro de prioridade no consumidor, buscando levá-lo a percepções e ações desejadas referentes à marca ou produto. Assim, inicialmente, ela seduz o potencial consumidor, até convencê-lo.  Para isso, faz uso de recursos linguísticos e sonoros que causem mais fácil memorização da mensagem. O slogan é um dos recursos da publicidade para transmitir o posicionamento da marca na mente do consumidor, de forma simples, concisa, de fácil memorização.
             O slogan está diretamente ligado ao posicionamento da marca e precisa demonstrá-lo de maneira compreensível e verdadeira, para que seja bem identificado pelo receptor da mensagem publicitária. Este posicionamento é a forma com que o consumidor percebe a marca, dentro do mercado. Com a saturação de informações na sociedade atual, torna-se mais difícil a diferenciação do posicionamento pelo target. Existem muitos produtos parecidos , por isso, para causar impacto diante do consumidor, é preciso considerar o que ele pensa. Assim, é importante abrir os olhos para o que ele percebe, para que haja credibilidade, confiança para obter do público a fidelização para com a marca.
           Dessa forma, o papel do slogan consiste em apresentar textualmente esse posicionamento, utilizando-se de poucas e marcantes palavras, de fácil fixação e repetição, que funcionem de modo a induzir e convencer o público. Para transmitir o posicionamento da empresa, o slogan deve se diferenciar diante da concorrência, causando impacto para o público receptor.
             Em uma sociedade saturada de informações, ganhar um espaço na mente do consumidor trata-se de grande vantagem à frente da concorrência. Para isso, precisa-se de ideias "realinhavadas", já que é difícil criar algo novo, conforme afirmam Ries e Trout (1997, p. 5). Ser o mais direto possível também é um fator que auxilia na recepção da mensagem, já que as informações na mente do público estão saturadas.
           Os meios de comunicação são bastante influenciadores nesse processo, devido ao seu alcance e a credibilidade provocada. A variedade das mídias permite a especificação ou generalização das mensagens,conforme a necessidade. As mídias tradicionais possuem maior alcance e conseguem induzir mais significativamente a memorização da publicidade  pela massa, enquanto as digitais possuem mais facilidade em personalizar informações.
            As mídias massivas, através de suas características de repetição e amplitude de divulgação, auxiliam bastante na eficiência da divulgação e fixação dos slogans. No entanto, com o aumento da utilização da internet pelos consumidores, e a diminuição da atenção exclusiva aos meios massivos, a memorização dos slogans pode ser dificultada, o que exige um trabalho cada vez mais aperfeiçoado no que se refere à divulgação do posicionamento de marca.